sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Tema Arqueólogo Amador : Mudança climática pode ter ajudado a destruir civilização maia, diz estudo

CIENTISTAS AVALIARAM CHUVAS NA AMÉRICA CENTRAL PARA CHEGAR À CONCLUSÃO.

GRANDES SECAS DESENCADEARAM FIM DO POVO MAIA, SUGERE PESQUISA.

Do G1, em São Paulo

Cientistas de universidades dos Estados Unidos, da Alemanha, da 
Grã-Bretanha e da Suíça realizaram um estudo que aponta que 
mudanças climáticas ocorridas no passado podem ter 
contribuído para o crescimento e o fim da civilização maia clássica, 
que habitou a região da América Central há mais de mil anos.

O estudo foi publicado no site da revista "Science", nesta 
quinta-feira (8). De acordo com os pesquisadores, já era cogitada 
a hipótese de que o clima pode ter causado a desintegração da 
sociedade maia, mas ainda não havia medições precisas sobre 
como e quando estas mudanças climáticas ocorreram.
 
 
Pirâmide maia de Chichen Itza, no sul do México 
(Foto: Dennis Barbosa/G1)
 
Para chegar ao resultado, o pesquisador Douglas Kennett, 
da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos EUA, analisou 
junto com seus colegas estalagmites de uma caverna de Belize, 
país da América Central. No passado, o território onde hoje 
se encontra o país foi habitado pela civilização maia.

Uma das estalagmites analisadas pelos pesquisadores em Belize (Foto: Divulgação/Douglas Kennett/"Science") 
Uma das estalagmites analisadas pelos cientistas
(Foto: Divulgação/Douglas Kennett/"Science")
 
Os cientistas mediram os isótopos de oxigênio nas estalagmites 
para saber como teria sido o regime de chuvas durante o período 
em que os maias habitaram a região, aproximadamente entre 
os anos 300 e 1.000 d.C. (Depois de Cristo).

Os dados indicam que épocas de intensas chuvas na região 
coincidem com a expansão do povo maia e levaram a uma era 
de prosperidade para a civilização, entre 440 e 660 d.C., 
principalmente pelo desenvolvimento da agricultura.

Após esta época, os isótopos de oxigênio estudados nas estalagmites 
apontam tempos de seca e estiagem. Estes períodos de seca, 
entre 660 e 1.000 d.C., devem ter desencadeado uma queda 
na produção agrícola dos maias e ajudado a desintegrar a 
sociedade e política deste povo pré-colombiano, segundo Kennett.

A estiagem mais severa, entre 1.020 e 1.100 d.C., ocorreu após 
um colapso generalizado das cidades-estado da civilização maia. 
A era de secas "aumentou as guerras e desintegrou o 
sistema político, causando o colapso da população", sugerem 
os pesquisadores no estudo.

Muro de pedra produzido pela civilização maia, em Belize (Foto: Divulgação/Douglas Kennett/"Science") 
Muro de pedra produzido pela civilização maia, em Belize 
(Foto: Divulgação/Douglas Kennett/"Science")

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