sábado, 23 de junho de 2012

100 anos de GONZAGÃO



A PRIMEIRA BIOGRAFIA


Luiz Gonzaga e Outras Poesias
Autor: Zépraxedi (O Poeta Vaqueiro) 1ª edição: Continental Artes Gráficas – 
São Paulo (SP), 1952 71 páginas 14 x 21 cm


Em geral quando se fala de biografia pioneira de Luiz Gonzaga, imagina-se 
que seja O Sanfoneiro do Riacho da Brígida (1966), livro escrito pelo paraibano 
Sinval Sá, anterior à obra de Dominique Dreyfus (A Vida do Viajante: A Saga 
de Luiz Gonzaga (1996). Na verdade, a primeira biografia de Luiz Gonzaga, em 
versos matutos de tamanhos diferentes de estrofes, é de autoria do 
poeta-vaqueiro norte-rio-grandense Zépraxedi, lançada em 1952 e 
jamais reeditada (2009).
 
O livro Luiz Gonzaga e Outras Poesias é introduzido por dois artigos 
publicados em jornais, publicados em jornais do Rio Grande do Norte e do 
Rio de Janeiro, à guisa de apresentação da obra: um de autoria do crítico 
teatral do Diário Carioca, Sábato Magaldi (1951); o outro artigo, de Luiz 
da Câmara Cascudo, fora publicado na sua coluna Acta Diurna (1948), 
no Diário de Natal, explica as diferenças entre quem é folclore e o ofício 
do folclorista.
 
O artigo de Magaldi noticia a noitada de poesia sertaneja de Zépraxedi, 
no Teatro Copacabana da então capital federal, Rio de Janeiro, sob 
patrocínio do vice-presidente da República, Café Filho, e das bancadas 
de políticos do Rio Grande do Norte. O jovem crítico teatral comenta a 
espontaneidade dos versos do poeta vaqueiro, inspirados na política, 
no amor, na família, no mundo. “No intervalo entre a primeira e segunda 
parte do programa, Luiz Gonzaga cantou excelentes baiões de sua autoria”, 
anota Sábato Magaldi, sem esquecer os entusiásticos aplausos do público 
aos passos de frevo do trianglista Zequinha.
 
O vínculo dessa biografia pioneira do Rei do Baião, de Zépraxedi, à colônia 
norte-rio-grandense no Rio de Janeiro é considerado nas estrofes iniciais 
a Dois Grandes: Duas boas arturidade / Me truveram do sertão / 
A sigunda do país [o vice-presidente Café Filho] / E a prenmera do baião.
Em seguida, Zépraxedi dedica cerca de 160 estrofes, de quatro, seis, 
oito e até dez versos matutos, à vida e à obra de Luiz Gonzaga, incluindo 
versos dedicados ao pai Januário, ao casamento com Helena Gonzaga, 
à sua sanfona e à festa junina. Há ainda dois poemas extras: Noite de 
Natá e Quatro Coisa. 

Fonte : Acorda Cordel

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