terça-feira, 11 de junho de 2019

Armas dos Antigos III - O Cajado de Moisés ou o Poderoso Cetro de Deus



Continuando com o tema biblico e grandes artefatos encontramos o legendário "Cajado de Moisés", também chamado de "Cetro de Deus" ou "Cajado de Jeová". Essa relíquia foi mencionada pela primeira vez no Livro do Exodus, um dos mais importantes tratados da crença hebraica. Segundo a crença o cajado foi imbuído com o poder divino e além da imaginação mortal. Deus teria entregue o cajado à Moisés quando se manifestou como um arbusto em chamas no alto do Monte Horeb.

Para demonstrar os poderes sobrenaturais do cajado, Deus teria transformado o objeto em uma serpente e depois novamente em um cajado de madeira. Mais tarde, o Patriarca repetiria essa mesma transformação diante do Faraó e de seus sumo-sacerdotes perguntando se eles poderiam repetir o feito, o que eles obviamente não foram capazes de fazer. O Faraó furioso pela "incompetência" dos seus conselheiros os exilou.

Moisés teria carregado o cajado durante todas as suas jornadas como se ele fosse um simples bastão de peregrino. De fato, o cajado se tornou uma ferramenta intimamente associada a Moisés e na maioria das vezes em que ele é retratado aparece com o cajado em suas mãos.

Outra façanha realizada com a ajuda do cajado envolve produzir água de uma pedra - provavelmente de onde vem o conhecido ditado. Para saciar a sede de seu povo durante a travessia do deserto, Moisés bateu com força com o cajado em uma pedra e esta começou a verter água pura para saciar a necessidade de seus companheiros de jornada.

Durante a famosa Batalha de Rephidim, na qual os israelitas enfrentaram os amalequitas, Moisés também recorreu ao cajado divino. Em determinado momento do confronto, Moisés teria subido em um monte onde podia ser visto por suas tropas e ergueu o objeto sobre a sua cabeça proclamando que a vitória estaria ao lado dos hebreus e que por vontade de Deus eles iriam prevalecer. Como por intercessão divina, a batalha que até então pendia claramente para o lado dos amalequitas começou a mudar de lado. De acordo com a história, sempre que Moisés fraquejava os braços e baixava o Cajado, as tropas inimigas reagiam e voltavam a vencer. Perseverante, Moisés ergueu uma vez mais o Cajado Divino e os israelitas encontraram a vitória final.

Segundo trechos da Bíblia, um dos irmãos de Moisés, Aarão, também possuía um Cajado Mágico, possivelmente o mesmo cajado, que ele usou para deflagrar a praga que transformou o Nilo em sangue. Conforme as escrituras sagradas, Aarão teria tocado a ponta do cajado em um curso de água e imediatamente ele começou a verter um líquido vermelho que se misturou ao Nilo que em pouco tempo se converteu em sangue. Alguns textos apócrifos afirmam que o Cajado de Deus também teria tido papel importante para liberar a peste das Moscas e dos Gafanhotos, uma vez que teria sido o objeto que comandou os animais a atacar os egípcios.

Contudo, nenhum feito realizado por Moisés ou Aarão usando o cajado maravilhoso se iguala ao colossal milagre de dividir as águas do Mar Vermelho para permitir a travessia do seu povo que era perseguido pelos egípcios.

A Bíblia diz que Moisés tomou a frente de seu povo, carregando o Cajado e com ele tocou a água. Em seguida, erguendo o Cajado fez com que as águas do Mar Vermelho se afastassem como se uma parede invisível a empurrasse. Com isso, formou-se um corredor através do qual as pessoas puderam passar em segurança. A façanha se manteve por várias horas (ou mesmo dias em algumas versões), permitindo que a travessia fosse feita pelo povo escolhido por Deus. A seguir, quando todos já haviam atravessado a massa de água, Moisés simplesmente baixou o cajado e as águas retornaram ao seu lugar com grandes ondas se formando. O exército do Faraó que seguia os israelitas foi então colhido pelas águas e completamente aniquilado por ela. 

É claro com histórias tão detalhadas a respeito de um artefato tão poderoso, dúvidas a respeito de seu paradeiro e existência sempre estiveram presentes. A principal teoria é que o Cajado teria sido passado de geração em geração pelos Reis da Judéia, até que o Primeiro Templo foi destruído por Nabucodonosor II após o cerco de Jerusalém em 587 a.C. 

Nessa versão dos eventos, os líderes hebreus teriam brigado entre si para decidir se o artefato deveria ou não ser usado, e por quem. Após uma acalorada discussão, as duas correntes não chegaram a uma conclusão. Há duas hipóteses do que se passou então, na primeira, o cajado teria sido destruído por ser considerado indigno a qualquer homem usá-lo. Ele teria sido quebrado no meio, fazendo com que o poder contido em seu interior se esvaísse. A segunda hipótese é que pouco antes da queda da cidade, um grupo de judeus exilados conseguiu transportá-lo para fora dos muros do templo em uma insuspeita caixa de marfim. Ele teria ficado em poder de famílias nobres que se espalharam pelo Oriente Médio, terminando na Turquia. 


Há registros de que uma peça com a aparência e descrição aproximada do Cajado esteve no tesouro mantido no Palácio de Topkapi, em Istambul no século XI. A peça teria sido adquirida junto com outras relíquias religiosas por governantes muçulmanos que as sequestraram em um ataque a uma importante sinagoga. No decorrer da Primeira Cruzada, um dos objetos que as tropas de Cristãos Europeus demandavam a devolução, era justamente o Cajado de Moisés, que muitos imaginavam, estaria em poder dos sultões.

Uma campanha militar dos Cruzados alardeou ter recuperado o Cajado Divino em uma fortaleza sarracena em Antióquia. Após dias de cerco e brutal combate, a fortaleza foi tomada e na sala do tesouro padres encontraram e reconheceram o artefato divino. Ele estava em uma caixa de marfim, envolto com um pano de tecido brocado. A relíquia uma vez recuperada foi sauidada pelas tropas, causando uma crise de prantos e louvores dos soldados. Ela seguiu então de navio para Veneza onde seria ofertado aos Doges, mas a embarcação terminou por afundar no Mar Mediterrâneo, ou assim dizem os rumores. Há no entanto outras histórias, uma muito interessante afirmando que o Navio de fato afundou, mas que o naufrágio foi proposital para que a preciosa carga fosse subtraída por pessoas interessadas em vendê-la.

Há suposições de que posteriormente o Cajado de Moisés tenha acabado nas mãos de Frederico I, chamado de Barba Rossa, Imperador do Sacro Império Romano-Germânico. Tido como um dos mais bem sucedidos e carismáticos líderes de seu tempo, ele jamais teria usado o Cetro de Deus em causa própria. No fim de sua vida, teria entregue a relíquia a uma ordem de monges que ficaram responsáveis por mantê-lo em segurança. 
No fim das contas, como ocorre com a maioria dos objetos sagrados ninguém realmente tem ideia do que pode ter ocorrido com essa potente ferramenta dos antigos ou mesmo se ela de fato existiu.

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