- CARRADA DE ALGODÃO -
Esta fotografia é a verdadeira bandeira de uma era. Só quem se criou no sertão do Seridó ou Cariri paraibano, tem mais de 40 anos de idade (é o meu caso!), plantou no seco, cultivou com arado puxado por boi manso, limpou mato com enxada, pisou ser ver em cima de buraco de formiga preta ou alemã (arre diabos!), apanhou algodão no meio do carrapicho e o carregou no lençol de se cobrir à noite pra dormir, pesou e ensacou o mesmo algodão mocó em saco de estopa, sabe o enorme simbolismo que ela traz!
Quem fez isso lembra-se que ainda bem que sempre tinha um potinho com água friinha debaixo de um juazeiro, estrategicamente colocado nas proximidades. As vezes ainda tinha um pedaço de rapadura... Dava-se uma suspirada, podia até dar um arrotinho ou soltar um... deixa para lá...
Isso lembra, os meus amigos, quando vinham num caminhão carregado de algodão, saindo lá do sítio, bem em riba, lá em cima, morrendo de contente porque iam pra “rua” de carro. Era assim mesmo, a gente chamava a cidade de “rua”, no caso São João do Sabugi - RN!
Via B. Viegas
Via B. Viegas
Cena fotográfica que muito marcou nossas vidas. Lembro muito bem quando saía justamente esses caminhões lá do Sítio Mata-Fome, contendo uma vasta produção de algodão mocó, que os diversos homens apanhadores com seu imenso labor faziam subir o ‘paiol cândido’ a cada ano naquele rincão sabugiense.
ResponderExcluirO que mais me marcou era quando toda colheita terminava, e meu pai me presenteava com parte da “catagem”, onde eu aproveitava toda “bacatela” existente, rendendo-me um bom numerário. Numerários esses que me proporcionava compras que iam de ‘baleeiras de liga de soro’ até vestimentas. Vale salientar que todas as compras eram realizadas na feira livre da segunda-feira em São João do Sabugi sem nenhuma timidez por está comprando por exemplo a roupa da ‘noite festa’ no Mercado Público Municipal. È nostálgico e ao mesmo tempo saboroso reviver por via das imagens tudo aquilo que vivemos outrora. Era justamente em dezembro quando acontecia.
O seu blog ultimamente tem assumido um papel fundamental em resgatar os fatos mediante registros fotográficos. Acredito que todos nós de SÃO JOÃO DO SABUGI (sem abreviação), orgulhamo-nos de ver nossa história contada “aqui acolá”, ao passo que os fatos vão ocorrendo e construindo o linear da história sabugiense em mutação desenfreada.
DECIFRANDO MELHOR AS “COISAS NOSSA”.
Paiol cândido: depósito de algodão;
Catagem: final da colheita;
Bacatela: os ‘capuchos’ de algodão que não tem mais o mesmo volume do início da apanha;
Baleeiras de liga de soro: artefato construído artesanalmente contendo
Apanha: a colheita em si;
Capuchos: cachos fibrosos do algodão com sementes.
São João do Sabugi-RN, 09 de dezembro 2012.
Atenciosamente,
Railson Antônio de Medeiros.