domingo, 7 de agosto de 2011

Touros RN 07.08.1501: O Brasil nasceu aqui ha 510 anos.

Hoje, domingo dia 07.08.11,  o Rio Grande do Norte comemora mais um ano de história. Na janela do tempo já são 510 anos desde quando a frota das três caravelas lideradas por André Gonçalves e Gaspar de Lemos, que contava ainda com a presença do cosmógrafo Américo Vespúcio, chegou até o litoral de Touros, desembarcou em terra firme e no solo potiguar encravou o Marco de Posse da terra brasileira – símbolo oficial do domínio de Portugal.
Através da Lei número 7.831 de 31 de maio de 2000, de autoria do deputado Valério Mesquita, ampara a data num reconhecimento e alusão ao marcante fato histórico que dá início a nossa história e estabelece o nascimento jurídico do país – a chantadura do Marco de Touros.
Marco de Touros
O Marco foi instalado nos limites dos atuais municípios de Touros e Pedra Grande, na praia dos marcos. Feito em pedra lioz, o marco apresenta, no primeiro terço, a Cruz da Ordem de Cristo e, abaixo, as armas do rei de Portugal. Ele foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Cultural.
Com o passar dos anos, o marco colonial de Touros tornou-se objeto de crendice popular. Em 1976, com o objetivo de evitar danos ou seu desaparecimento, Oswaldo de Souza, representante local do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, transferiu este monumento para o Forte dos Reis Magos, em Natal, onde está até hoje.
Para o membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras Diógenes da Cunha Lima, a comemoração é importante pois marca a tomada da posse do Brasil. “O marco de Touros é uma espécie de escritura pública. Não é relevante só para o Rio Grande do Norte, mas para todo o Brasil.”

 PADRÃO COLONIAL DE TOUROS

            O Marco de Touros, o mais antigo padrão colonial do Brasil, foi chantado em território brasileiro (praia de Ubranduba, Touros, RN) no dia 7 de agosto de 1501 pela expedição manuelina comandada, segundo Câmara Cascudo, por Gaspar de Lemos, ou, conforme outros autores, por André Gonçalves. Por motivos atualmente mais que justificados, a tendência é se reconhecer o comando de Gaspar de Lemos 1. A convite de Dom Manuel I, e na condição de piloto ou cosmógrafo, fez parte dessa expedição o navegante florentino Américo Vespúcio  2.
            No referido marco não figuram data nem inscrição. Porém, no terço superior de uma das suas faces, destaca-se a escultura em alto-relevo da cruz da Ordem de Cristo, armas e quinas dos reis de Portugal.
            Os padrões coloniais tipificavam o domínio oficial da Coroa Portuguesa sobre suas colônias e possessões. Em 1483, em viagem exploratória na costa africana, o navegante português Diogo Cão chantou um desses padrões na foz do rio Zaire. A partir daí os padrões de pedra lioz passaram a substituir as cruzes de madeiras usadas para afirmar a autonomia de Portugal sobre as terras conquistadas ou descobertas para o serviço de difusão da fé cristã.
            O primeiro registro do padrão colonial de Touros foi feito no final do século XIX pelo historiador pernambucano José Vasconcelos, em seu livro Festas Notáveis da História do Brasil.
            A 7 de agosto de 1928, os historiadores Luís da Câmara Cascudo e Nestor dos Santos Lima (do IHGRN) foram ao local da chantadura doMarco de Touros, tomaram-lhe as medidas e dele fizeram completa descrição.
            Em janeiro de 1972, o acadêmico Oswaldo de Souza, representante do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, esteve várias vezes na Praia dos Marcos 3na intenção de convencer os moradores do lugar a concordarem com a transferência temporária do marco de Tourospara Natal. Após inúmeras gestões a população da localidade onde omonumento histórico se encontrava, acabou cedendo à argumentação do historiador Oswaldo de Souza.. Em Natal o marco foi exposto na Fortaleza dos Reis Magos, onde ainda aguarda o dia em que voltará ao lugar de sua primitiva chantadura.
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            1) Era Gaspar de Lemos o piloto da nau enviada a Portugal pelo almirante Pero Álvares Cabra para levar a notícia do descobrimento ao rei Dom Manuel. Pelo menos 3 documentos escritos ele levava: “a carta do piloto anônimo, a carta de mestre João e a longa exposição do escrivão Pero Vaz de Caminha, com detalhes sobre a terra descoberta e os seus habitantes.
                2) Américo Vespúcio, presente à solenidade de chantadura do Marco, afirma em duas de suas missivas que o desembarque na costa brasileira ocorreu a 7 de agosto. Mas na “Lettera”, outra missiva de sua autoria, ele revela que foi a 17 de agosto, o que me parece verdadeiro. O acontecimento teia acontecido após a expedição alcançado o cabo de São Roque no dia anterior, 16 de agosto de 1501.
3) Praia dos Marcos por que o padrão colonial se compunha de três peças: o marco propriamente dito e seus dois tenentes ou testemunhas feitas da mesma pedra de Lioz  então abundante em Portugal.. Ubranduba era como primitivamente se denominava a praia em que foi o marco chantado..
                4) Marco de Touros, por que a praia onde foi  encontrado pertencia a esse município. 




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